Um homem de poucas palavras

Um jovem aborda seu pai com uma dúvida:

— Pai, essa decisão está me matando... O senhor poderia me dar um conse...

— Filho, cuidado. Se você pretende continuar pedindo conselho, irá passar uma boa parte de sua vida fazendo o que os outros querem, e não efetivamente o que você quer.

— Ah... – meditou por alguns segundos o filho. Bom, mas o senhor tentou aplicar esse conceito em sua vida?

— Em alguns momentos sim.

— E funcionou?

— Às vezes... A questão é que a grande maioria das pessoas que eu conheço, inclusive eu, passa uma boa parte de sua vida sem saber o que quer... Dessa forma, pedir conselhos não ajuda muito. Afinal de contas, se você não sabe aonde ir, uma indicação não serve de nada.

— É... Acho que não sei mesmo o que fazer nesse meu caso... – disse o filho.

— Tem certeza? O que ocorre é que as pessoas, por mais que isso possa contradizer o que eu já disse há pouco, quando pedem um conselho ou uma opinião, já decidiram em seu âmago qual decisão tomar. No fundo elas sabem qual caminho percorrer, qual estrada escolher ou qual desvio pegar... Mesmo que essa escolha ainda seja uma incógnita para elas, e cause ansiedade e noites sem sono, no final das contas, acabarão escolhendo aquilo que seu inconsciente já decidiu. Não creio que exista escolha certa ou errada, e sim aquela que irá deixar você mais feliz.

Ao ver que o filho permanecia em silêncio, o pai prosseguiu.

— Filho, as pessoas não buscam conselho. O que elas buscam é aprovação de seus atos. Buscam apoio e suporte para não se sentirem sozinhas quando precisarem tomar uma decisão. De qualquer forma, no início de nossa conversa você me pediu um conselho e portanto deixe-me lhe contar algo. Há muitos anos recebi um telegrama de um velho amigo. Ele era meio louco. Um cara de poucas palavras, porém com muito a dizer. Na correspondência lia-se o seguinte:

Caro José.

Lembre-se de três coisas:

- Não passe vontade

- O mundo gira

- Gaste seu dinheiro com mulher e bebida, o que sobrar gaste com futilidades.

Saudades,

tempus fugit.

— Tá certo pai... – disse sorrindo o filho.

— Não são só as escolhas que definem um homem meu filho, mas também o jeito como a gente lida com elas depois.

Palavras-Chave: .
Compartilhe:

Comente:

*Todos os comentários serão avaliados!

Enviar

Comentários:

Nenhum comentário ainda!
Seja o primeiro a comentar este post!